Amy

Eu vou confessar, nunca fui muito fã da Amy Winehouse e só conhecia as músicas que eram mais tocadas, singles mesmo. Porém, mesmo sem ser muito chegada a vida dela, uma coisa não dava pra negar: a peça era um tanto que curiosa. Logo quando se iniciou o declínio visual e mental da Amy, eu lembro de estar no último ano do colégio e a única coisa que fazia era julgar, julgar e julgar e então eu lembro de dizer: “meu deus, como é que uma mulher bonita, talentosa e rica desse jeito consegue se desgraçar dessa forma?” Na verdade se você parar um pouquinho e pensar, provavelmente 4 de cada 5 noticias que você leu sobre ela envolvia alguma polêmica da braba, e minha nossa, como isso era triste, pelo menos olhando de agora.

Logo que eu soube que sairia um documentário sobre a vida dela eu pensei que tinha que assistir e quem nesse mundo não ficaria curioso com relação a Amy? Logo que o documentário saiu eu fiquei postergando pra baixar porque achei que tudo de bom que estava se falando na mídia sobre ele deveria ser mais um zumzumzum que qualquer outra coisa, e então o tempo foi passando e ai de repente BOOM lá estava ele no netflix, lindo e fácil pra assistir, então esperei o maridão chegar do trabalho pra ver com ele e ai, eu quebrei a cara.
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Amy foi um documentário muito bem dirigido por Asif Kapadia conhecido inclusive por Senna (2010) que conta sobre a vida do nosso ídolo eterno Ayrton Senna, e foi indicado a vários prêmios, inclusive ao Oscar  e ao BAFTA de melhor documentário, ganhando nada menos que o último. Agora vamos as minhas considerações.

Voltando a parte da cara quebrada, assim que terminei de ver as duas horas de documentário, eu podia sentir meu coração despedaçado. Era um misto de nojo com tristeza e tudo isso envolvido por uma sensação de que tinha um gato de 10 kg na minha garganta querendo sair. Aquela mulher nada mais foi do que uma vitima, não somente da mídia que tirou até a última gota da sua sanidade, mas pior do que isso, uma vitima de suas próprias relações familiares e amorosas. Claro, nada mais natural que uma pessoa com um histórico de traumas na família e doenças psicológicas se desintegrar em vista do sucesso que ela conseguiu atingir em tão pouco tempo, mas o revoltante com relação a vida da Amy era que ela podia ter sido salva, e a falta de ação das pessoas com relação a situação dela foi tão obvia que ficou mais do que claro que para muitos ela não passava de um maço de dinheiro com duas pernas e muito talento pra música.

Ela era como um pequeno e frágil brinquedo que as pessoas manipulavam facilmente e durante o documentário percebemos que o veiculo que deveria ajudar a tirar a Amy desse poço sem fim, simplesmente fez com que ela fosse caindo ainda mais fundo e numa velocidade ainda maior. A impressa calou um pedido de socorro que não era dito, mas sim estampado na cara de um ser humano e como se tudo não fosse o bastante, fez piada. Até o dia da sua morte, Amy foi simplesmente uma piada que quando perdeu a graça, alertou para um problema que muitas mulheres devem sofrer nesse universo que é a industria do entretenimento e em tantas outras casas por ai: O abuso físico e principalmente psicológico. O fato mesmo é que é impossível você não desejar o pior para aquele monstro que chamam de Blake Fielder-Civil, que pisou, sapateou e brincou com os sentimentos de uma mulher que só precisava de amor e companheirismo. Fiquei pensando em como a vida foi cruel com ela e que talvez, se o destino não tivesse posto aquela criatura na vida da Amy, ela hoje estivesse viva.

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No mais, aconselho que você assista, são duas horas que passam voando e todo o transcorrer das cenas te prendem de um jeito bem fluído. Uma curiosidade sobre “Amy”é que o pai seboso dela, apesar de ter contribuído com todo material pro documentário, com o passar do tempo começou a desgostar de como as coisas eram passadas porque tudo levava a crer que ele teria sido uma peça chave pra destruição da sua filha, e não era isso que ele queria passar para os fãs APESAR de tudo. Felizmente não poderia existir outro andar da carruagem, já que sim, aquele homem foi um pai asqueroso.

Até a próxima!

 

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