Conversas – Filho Canino 1/4 – Quero um cachorro, mas…

Resolvi que ia começar a categoria “Conversas” aqui no blog falando sobre um dos temas que mais me interessam nessa vida: CACHORROS. Se você estiver numa mesa de restaurante comigo ou até mesmo na fila do banco e de repente o assunto surgir, pode ter certeza que ele vai dominar as próximas horas porque além de inevitável, eu gosto de trocar figurinhas.  Os cães são animais que admiro bastante e quem tem sabe que são nossos melhores amigos.

A conversa “Filho Canino” eu dividi em 4 partes que vou publicar, baseadas na experiência que vivi (e ainda vivo) depois que decidi que teria meus cachorros. A primeira parte dos textos surgiu daquele papo clássico: “Quero um cachorro, mas…”

Provavelmente você já deve ter ouvido essas frases: “Amo cachorros, queria adotar um, mas trabalho por muitas horas” ou “Queria ter um cachorro, mas moro em um apartamento pequeno” e pasme, talvez você também já tenha ouvido “Queria ter um cachorro, mas só se for de tal raça, porque vira-la não tem modos”. Bem, logo que eu disse pra todos que iríamos adotar um cãozinho, esses comentários meio que surgiram naturalmente de pessoas que conheço como uma forma bem estranha de me alertar de que também estava na mesma situação deles. Acabei me vendo obrigada a me livrar de cada um desses obstáculos, já que era uma coisa que queria muito, mas que infelizmente as pessoas tinham o maior prazer em meter o nariz.

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Acredito que um dos grandes problemas que levam sempre para o “mas” é que as pessoas não querem se dar ao trabalho de nada. Eu explico… se você quer muito uma coisa, por que se privar disso diante de um pequeno problema? Muito dos preconceitos que tive que enfrentar, surgiram do fato de que quando resolvemos que íamos dar esse passo em nossas vidas, eu e meu marido ainda trabalhávamos em horário integral, éramos recém casados e morávamos num apartamento de 40m². Minha surpresa era perceber no entanto, que se eu dissesse que ao invés de um cachorro eu fosse ter um filho, os argumentos anteriores nem mesmo existiriam. No mínimo curioso, certo? Mas ok, isso é assunto pra outra conversinha.

Claro, ter um cachorro é uma responsabilidade gigante, afinal de contas é uma vida que estará nas suas mãos pelos próximos 10 anos no mínimo e eu estava ciente de todos os problemas que estariam a frente com a decisão de adotar um, mas minha atitude inicial foi buscar uma solução pra eles ao invés de desistir e vou contar como fiz isso.

Tempo

“Você não considera maus tratos, deixar um cachorro por tanto tempo sozinho?” Ai vai minha humilde resposta pra você… NÃO. Pelo menos não no meu caso. Analise comigo, muita gente passa todas as horas do mundo com um cachorro em casa, mas durante o dia, o máximo de atenção que ele oferece ao animal é de 5 minutos, e ai?
Os cães são seres muito sociáveis e logo que nosso primeiro cachorro chegou em casa, nós sabíamos que seríamos obrigados a mudar nossa rotina drasticamente. Pra passar mais tempo com Foxy, nós começamos a acordar mais cedo e estabelecemos um horário pra ela de caminhadas duas vezes por dia e brincadeiras sempre que estávamos juntos, coisa que os cães adoram. Graças as reviravoltas da vida, não trabalhamos mais nos mesmos moldes de antes e agora podemos passar todo o tempo do mundo com ela e sua irmãzinha.

Adaptação

Nosso apartamento era pequeno e a adaptação a um novo lar foi bastante difícil. Antes mesmo dela entender o que podia mastigar ou não, eu devo ter perdido muitos lençóis, CDS, livros, chinelos, sapatos, fiação e também um sofá inteiro. Muito choro rolou até entendermos que o problema estava em nós. Precisávamos organizar a casa de uma maneira que ela só encontrasse fácil os seus brinquedos. Eu cheguei a cansar de ouvir “Nossa, você nunca mais vai ter nada na vida, tem como devolver ela não?” ou “Por que você não procura alguém que tenha uma casa maior e faz uma doação?” Como se um cachorro, fosse uma roupa que ficou apertada. Hoje em dia eu não consigo nem lembrar mais qual foi a última coisa que ela comeu e meus chinelos ficam em qualquer canto da casa sem preocupação.

Um outro problema da adaptação é ensinar onde o cachorro deve fazer as necessidades quando está em casa. Google, Youtube, Livros e Blogs estão ai pra te dar dicas de como resolver isso em até uma semana, com muita paciência. Então vamos parar de catar porcaria por ai e procurar se informar! Continuando…

Espaço

Tem vizinho meu que não consegue entender como consigo criar dois cachorros de médio porte num apartamento e sempre que sou questionada sobre o espaço que eles ocupam, sempre digo: O mesmo que o meu, onde eu estou, meus cachorros estão. Se estou sentada no sofá, elas estarão nos meus pés e se estou deitada na cama, elas estarão do meu ladinho (claro, você não vai criar um Dog Alemão dentro de um quartinho, por exemplo. Usemos o bom senso, ok?). Então, sem aquela desculpazinha de que cachorro ocupa muito espaço e por isso vai comprar um Pinscher pra matar a vontade de ter um.  Falando nisso, tem muita gente até que se usa desse argumento como saída pra não adotar um cachorro SRD (sem raça definida), já que não é possível determinar com precisão o tamanho exato que ele vai ficar quando crescer. Porém, as pessoas não param pra pensar que provavelmente esse cachorro estará num lugar bem menor em qualquer abrigo, dividindo o espaço com outros mil cães sem direito a amor, alimento de qualidade e passeio ou pior, nas ruas sofrendo todo tipo de abuso e privação. Algo a se pensar, né?

Vira-lata?

Tá ai outro preconceito que tive que derrubar. Apesar de ter estudos comprovando que cães SRD são extremamente inteligentes, amorosos e fáceis de ter o comportamento condicionado, ainda tem gente que diz que eles são desobedientes, latem demais, são agressivos e não são tão calmos quanto um cão de raça. LEI DO ENGANO. Quando ouço algo do tipo, dá até pena!

Sabe o que já fui obrigada a escutar de um cidadão, ao mostrar toda minha empolgação em adotar um cachorrinho? “Tudo isso por conta de um Vira-lata? Dá um lençol pra ele e coloca a água num pote de sorvete que tá tudo certo” Meu Deus, como não querer matar um triste desses?
Não se intimide de forma alguma por pessoas assim, os comentários vão surgir sendo cachorro, gato ou passarinho, largue um “vai se f****” e continue defendendo seus filhotes e ideais com unhas e dentes.

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Cachorros são como eternas crianças, Criar um é difícil sim, mas no final, com dedicação e carinho, tudo dá certo.
Ufa, se algum de vocês chegou até o fim desde post, tome aqui minha gratidão ♥ e até a próxima conversa. A segunda parte será “Quanto custa ter um amigo de 4 patas?”
Espero ter te ajudado na decisão de ter um filho cachorro e lembre-se: Antes de dizer aquele “mas”, pense duas vezes a respeito. Não dê ouvido ao que não for relevante pra você.  Isso é uma dica que dou inclusive para todos as situações genéricas da vida. Até a próxima.

Fonte das imagens 1,2, e 3.

 

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2 Comentários

  1. Mais um texto maravilhoso! Sempre tive gatos SRD e não passado tive a experiência de ter um cachorro, amei. Ter um pet é uma das melhores coisas da vida! Não gosto da ideia de comprar um animal, prefiro a adoção, não dou a mínima para os comentários do tipo “seu gato/cachorro não tem raça?” aff!
    De uma coisa eu tenho certeza, continuarei tendo filhos de quatro patas.

    1. Obrigadaa Liliane!! Você tá coberta de razão! Que mais e mais pessoas passem a pensar assim como você! <3 um beijoo

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