Filho Canino 4/4 – O julgamento: Cachorros ao invés de filhos?

As meninas aprenderam o comando “fica” e agora não consigo parar de tirar foto das duas.

Vou logo avisando que esse post será polêmico. É a minha opinião das coisas, com base na minha vivência e acho que saiu mais com cara de desabafo do que deveria, mas ok hahahahah

Existe um julgamento muito chato em torno de casais que tem cães, mas não tem filhos. Ao que tudo indica, se você é solteira e tem cachorros, tudo bem, mas se você é casada, ainda não engravidou e tem dois cachorros… então você só pode estar louca. Deve ser exatamente assim que as pessoas pensam quando me fazem uma listinha de perguntas do tipo:

– Nossa, mas como você vai ter um filho com esses dois cachorros enormes? (para todos, se não for um pinscher, já é gigante)
– Você não pensa em ter filhos? Prefere um monte de cachorro? Não existe nada como o amor de um filho por uma mãe… um não substitui o outro, viu?
– Você não pensa em ter mais responsabilidade? É meio egoísta preferir cachorros do que crianças.
– Você trata esses cachorros como bebês. Não vai ficar sobrecarregada quando tiver um filho?

Pode parecer absurdo, mas escuto esse tipo de coisa com uma frequência maior do que gostaria. A pressão vem de todo lado, da família, de conhecidos e até de pessoas que você acabou de conhecer na fila da padaria e pra elas, ao invés de uma resposta, acredito que devo dar apenas meu pior olhar de desprezo. Tudo bem, não é o meu momento de passar pela maternidade e já deixei bem claro a todos que se interessam pela minha vida ou que de alguma forma estão relacionados a ela. Definitivamente não é algo que eu queira acima de tudo, mas não é porque tenho cachorros que não posso ter filhos. Daqui a 10 anos ou menos, nada me impede de estudar a possibilidade de ser mãe e provavelmente o fato de ter cães não vai mudar isso. As pessoas precisam parar com essa alienação urgente. Agora, minha realidade é que sim, prefiro cachorro do que criança e cabe as pessoas apenas aceitar que minha vida não é a delas.

Não estar aberta a maternidade em determinada fase não pode ser motivo para que as pessoas se achem no direito de se intrometer nas suas escolhas, lhe julgar ou afirmar incessantemente o quanto é maravilhoso estar cercada de crianças e de como um casamento não é completo sem uma gravidez. Aparentemente você já nasceu mãe e para essa nossa sociedade patriarcal machista é algo que você deve querer a todo custo, do contrário, não é uma mulher realizada… WHAAAAT. Não tenho filhos (humanos), não sei como é cuidar de uma criança, mas tenho plena certeza que deve ser algo exaustivo, que exige até a última gota do seu suor e que além de tudo, para ser uma experiência apaixonante e transformadora, você precisa querer e MUITO. Não é pra qualquer um e não acho que ninguém deve comprar a ideia dos filmes ou dos outros de que é o momento mais lindo e simples da vida, porque não, não é e não, não acho que preciso engravidar pra me dar conta disso, os relatos de uma série de mulheres está ai pra comprovar que os fatos são verídicos, nem tudo em ser mãe são rosas e textos apaixonados no Facebook.cachorroaoinvesdefilhosNós já sofremos demais com uma infinidade de coisas e além de todos os abusos que aturamos em nosso dia a dia, ainda somos impostas a esse ideal, que se não for padrão pra todas, algo deve estar errado… o de ser mãe. Essa romantização que paira sobre a maternidade é super alarmante pra mim. Uma mulher não é obrigada a ter filhos ou estar pensando neles. Está na hora do povo acordar.

Sempre digo aos conhecidos que estão pensando em casar e até mesmo aqueles que já estão casados (quando me perguntam sobre a experiência de ter cachorros em apartamento), que se estiverem pensando em ter filhos, que passem primeiro pela experiência de ter um dog em casa e se então passarem no teste sem que haja grandes consequências no relacionamento, então que seja… tenham o número de filhos que quiserem. Ter um cachorro é uma responsabilidade tão grande quando ter um criança. Ele vai exigir de você uma série de cuidados e apesar de não ser nada tão complexo como educar um filho ou cuidar de um bebê recém nascido (lógico), exige muito da sua dedicação e paciência. Cachorro caga, mija, chora, late, sente dor, fica doente, come, dorme, pede atenção e por vezes é desobediente como uma mula. Pra dar conta de um, você precisa interromper seu almoço de domingo pra trocar o jornal na área de serviço ou dar uns bons gritos quando não param de latir para o cachorro do vizinho e claro, haverão as discussões sobre o que fazer quando ele comer seu sofá e de quem é a culpa por ele estar tão mimado. É a realidade.

Por enquanto, gostaria que as pessoas ficassem cientes de que ter filhos cachorros não me faz menos mãe. Mas uma mãe ao meu modo, tutora de animais. Admiro e muito, aquelas que conseguem administrar uma casa com bebês humanos ou cachorros e por que não simplesmente amar aquela que cuida de um lar com os dois, não é verdade?

Espero que tenham gostado da nossa última conversa sobre “Filho Canino”! Deixem um pouco de amor nos comentários e até a próxima!

Por aqui escreve sobre as coisas que ama e tudo que há ao seu redor. Não vive sem sonhos, chocolate, cachorros, cinema, séries, música, fotografia e Netflix. Email: agavalenca@gmail.com
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2 Comentários

  1. Agatha, eu te amo.
    Lendo as 4 frases que você destacou eu já queria MORRER! A família do meu pai (exceto meu pai) sempre foi bastante feminista e bastante pró-cachorros então eu nunca passei pela cobrança dos cães x filhos, meus tios inclusive deixaram pra engravidar depois dos 36 e lutaram pra achar uma pediatra que não ousasse sugerir que os cachorros e a bebê não poderiam conviver (hoje todos se amam: a Isabelle, os cachorros, a Dr. Adriana), só recentemente quando fui para uma área profissional nova que comecei a ouvir umas besteiras como “o corpo da mulher clama por bebês” e “o instinto é mais forte que sua vontade”.

    Ler o post foi muito bom porque estou vendo de um mundo um pouco diferente (das páginas de adoção de gato) onde é exatamente o contrário: todo mundo te condena e te trata como uma verdadeira cretina se você não abriga no mínimo cinco gatos em casa (e contribui com mais três ONGs), eles dizem que você não está fazendo a sua parte e que é uma egoísta com o mundo. Assim como quem julga você por gostar de cachorro, eu passei a ser julgada por gente que nunca vi na vida por eu ter certas inseguranças sobre as responsabilidades de adotar um animal nesse momento.

    Obrigada por confirmar tudo o que eu pensava e por me mostrar que tem gente pé no chão sim. Que post incrível!

    1. ♥_____♥

      Eu tenho vontade de subir num palanque e dar um belo de um discurso pra pessoas que me vem com esse papo idiota de “reloginho” “instinto” e mimimi como se a mulher fosse um ser não racional, pqp! Curiosamente, em ambientes de trabalho esse é um dos assuntos que mais rendem, né? Deve ter alguma explicação pra isso na psicologia hahahah
      Quando tive a oportunidade de trabalhar em ong sofri algo parecido… como ainda morava na casa dos meus pais, sentia que mesmo sendo voluntária, era um pouco condenada pelo fato de não dar lar temporário ou adotar animais… é bem triste, não deveria ser assim porque todos estão ali por uma causa!
      Fiquei tão feliz, mas tão feliz lendo seu comentário, obrigada por ter se expressado e trocado essa ideia comigo! Um abraço gigaaante!

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