Lily Tomlin é a avó feminista dos sonhos em “Grandma” (2015)

Hoje minha indicação vai para “Grandma”, dirigido e escrito por Paul Weitz (nome por trás dos filmes American Pie: A Primeira Vez é Inesquecível e Em Boa Companhia) e que por aqui ficou conhecido como Aprendendo Com a Vovó (?).  Não entendo porque essas traduções de título são tão cagadas sempre, mas enfim…

Grandma é um filme curtinho, de orçamento baixo, super simples, filmado em apenas 19 dias, que possui 79 minutos de duração e que provavelmente você não deve ter ouvido falar. Mas vou te dizer uma coisa, além das atuações fantásticas e do leve humor, ele passa uma mensagem sobre empoderamento da mulher que merece todo o reconhecimento.

Vamos começar com a atuação perfeita de Lily Tomlin. Você deve lembrar do rostinho dela depois do estouro que foi a série Grace and Frankiedo Netflix (se não viu ainda, assista), onde ela dá um show de atuação ao lado da maravilhosa Jane Fonda… pois bem, no filme ela interpreta Elle, a vovó do título, que não é de todo diferente de Frankie na série. Não espere lá nada carregado de drama, só tente admirar o nível de naturalidade com que ela se entrega de um jeito impressionante ao roteiro do personagem. Parece até que o filme foi criado pra ela. Elle é uma avó super energética totalmente fora dos padrões da sociedade, que é  lésbica, viúva, quebrada financeiramente, ex renomada escritora feminista, ranzinza e sem papas na língua, que de repente se vê numa grande sinuca de bico ao receber a visita inesperada de sua neta Sage (Julia Garner), logo depois de ter terminado um relacionamento.

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O que acontece é que a garota engravida de um babaca no auge da adolescência e resolve recorrer a avó, já que não consegue dar a notícia pra sua mãe, para ajuda-la a pagar por um aborto no valor de 630 dólares numa clínica especializada. O problema é que a grandma não tem o dinheiro e a consulta da neta está marcada para o final daquele mesmo dia. O que fazer então? Bem, não se deixando abalar nem um pouquinho pela situação, Elle resolve que vai bater em algumas portas em busca da grana pra ajudar a neta.

Em cada uma dessas portas, somos apresentados ao passado da personagem de Lily Tomlin e conseguimos de uma vez por todas entender o porque da sintonia entre neta e avó, já que quando a garota dá a noticia de sua gravidez, não chegamos a presenciar nenhum daqueles comuns discursos moralistas cheios de julgamentos. As duas tem muito mais em comum do que se parece. A cereja do filme está realmente ai, em “Grandma” nós adentramos na personalidade de três gerações de mulheres fortes e independentes, avó, mãe e filha e em cada cena podemos aprender um pouco sobre o que é ser mulher, sobre como devemos nos impor e sobre como a sociedade é cruel.

Apesar de outros temas sociais aparecerem no filme de alguma maneira, o foco raramente sai do tema principal que é o aborto. Durante o filme é muito agradável ver a avó ensinar sobre feminismo a sua neta, que educada de uma maneira diferente, parece se manter cercada de pessoas que não agregam em nada na sua vida e que contribuem na construção de uma personalidade constantemente machucada pelos paradigmas hipócritas da sociedade… o que nos leva naturalmente ao namorado machista que não respeita mulher, bullying das colegas de escola ou a falta de atenção com relação a educação sexual.

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Paralelo a tudo isso, nós temos também Marcia Harden (Cinquenta Tons de Cinza) como Judy, a empresária de personalidade forte, bem sucedida e mãe de Sade, Judy Greer interpretando a ex Olivia e as super participações de Laverne Cox (Orange Is The New Black) como a tatuadora Deathy, Nat Wolff (Cidades de Papel) como Cam, namorado de Sage e por fim Sam Elliott (Motoqueiro Fantasma) como Karl, ex companheiro de Elle no passado, quando ela ainda não havia se descoberto lésbica. Inclusive, achei a cena entre Karl e Elle super intensa, mostrou que os dois atores tem mesmo uma sintonia forte.

Vou terminar com um dos ensinamentos mais poderosos da super vó a sua neta e que com certeza faria uma grande diferença em nossas vidas se nós tivéssemos a coragem de seguir a risca: “You need to be able to say ‘screw you’ sometimes.”

Até a próxima!

Fotos: Glen Wilson/Sony Pictures Classics

PS. Uma dica: não assista ao trailer… É daqueles que conta demais e acho que atrapalhou um pouco minha experiência na hora de ver o filme em si.

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