Little Girl Blue

Ontem estava em um daqueles dias que você passa horas e horas procurando algo pra ver na Netflix. Foi quando me deparei com um documentário poderosíssimo sobre Janis Joplin. Antes de ver, mal sabia o quanto que ficaria tocada com a história de força, dor e libertação daquela mulher incrível. Queria ter previsto antes, porque realmente não tinha intenção de terminar o dia com lágrimas nos olhos. Não era somente a música de Janis que era forte e cheia de grandes verdades sobre seu mundo… Ela era a verdade em si, personificada.

Não é difícil entender as turbulências que ela precisou enfrentar e superar na sua época, porque infelizmente ainda precisamos viver nesse universo que em grande maioria é cruel, misógino e de pouca esperança. Inclusive, pra afirmar o que acabei de dizer, basta ligar a televisão ou fazer uma navegação rápida pela internet. As mulheres continuam sendo massacradas, incompreendidas e levadas ao ridículo. O atual homem mais poderoso do mundo está aí pra nos lembrar disso, assim como as noticias de violência doméstica, crimes de ódio e por aí vai. Estamos regredindo. Mas voltando ao assunto, vamos falar sobre a mãe do blues, aquela que não se deixou ser diminuída e abriu caminho pra todas as mulheres que queriam fazer rock’n’roll.

“Who you are is what you settle for, you know?”

Fiquei com essa frase na cabeça. Imaginem só se Janis tivesse se retraído em seu ambiente familiar machista e conservador ou que tivesse deixado toda sua existência ser lentamente sugada pelos bullies da escola. O mundo não teria presenciado o furacão Joplin. Teríamos ficado sem a nossa Little Girl Blue e sua indiscutível arte, cheia de amor e “berros” desesperados por atenção. Como foram cruéis com essa moça.

Conheci a história de outra memorável mulher que infelizmente não suportou a pressão. Capricorniana ambiciosa! Como eu amo os capricornianos. Ainda bem que ela provou ser persistente e conseguiu dizer ao mundo que, afinal de contas, você só precisa ser você, com suas ambições, personalidade e defeitos.
Um tema já tão batido, mas que ainda corre em nossos pensamentos todo santo dia… Quando é que finalmente poderemos apenas “ser”?

Janis se foi pelas drogas. Lutou tanto e de repente, assim bem do nada, decidiu que não valia mais a pena remar contra a maré. Sempre acreditou que seus genes texanos eram o suficiente, que ela era uma mulher forte e não acabaria como seus amados amigos. Queria que alguém tivesse dito a ela que isso não era o suficiente. Fiquei até me perguntando se a causa da morte de Janis na verdade não foi tristeza.

Ela foi superior em tantos momentos. Quando precisava rebater as criticas quanto ao seu feminismo estrela (eles diziam que nenhuma outra mulher poderia dividir o espaço com ela, afinal Janis era sempre cercada de homens) ou quando enfrentou seus demônios e voltou a sua cidade natal apenas pra o encontro de ex-alunos da escola. O sucesso não era pra ela, ser amada era o que realmente importava. Dizia “Quando estou no palco, faço amor com 25.000 pessoas. Então, volto pra casa sozinha”. Tão triste e ao mesmo tempo tão acalentador… Janis se foi e se libertou.

Recomendo muito Janis: Little Girl Blue (2015). Apesar de ter um formato padrão, com carinha mesmo de documentário e por ocultar um pouco do lado mais autentico dela, puxando mais pro sentimental, curti bastante. A fotografia e edição ficaram incríveis. Outra coisa muito legal é que quem interpreta perfeitamente a voz de Janis no documentário é Cat Power, e ficou realmente muito bom.

Espero que tenham gostado da dica e do texto. Até a próxima!

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