Tenho esse hábito infeliz que surge em algumas ocasiões ao encostar a cabeça no travesseiro. Meus pensamentos parecem querer fazer mal ao meu descanso. Hoje resolvo por hora dizer pra mim mesma que amanhã será um novo dia e que nada do que me aflige naquela noite vale meu valioso sono. No entanto, de repente já não é mais como se a luta dependesse exclusivamente de mim. Olho para o teto e fica fácil perceber agora que pareço estar dividida entre mim e alguma outra criatura desconhecida, diga-se de passagem, mas que como todo animal, tem fome.

Não adianta rolar de um lado para outro esperando vence-la pelo cansaço, ela é pesada, tem língua afiada e não se sensibiliza nem um pouquinho diante do choro. Aparentemente, existe apenas uma única atitude capaz de faze-la dormir profundamente: alimenta-la. Então penso que dessa forma o meu eu pode finalmente vencer, permaneço distante e imagens aleatórias começam a passar diante dos meus olhos.

Como é tentador ceder as necessidades desse animal que me importuna por comida se utilizando do mesmo silencio aterrador que o fez se materializar do nada. O pensamento que surge do medo, do arrependimento e da ansiedade parecem ser seus pratos preferidos, porque todas as vezes que resolvem dar o ar de sua graça, me levam para uma nova linha de raciocínio cheia de possibilidades negativas. Tudo indica que sua intenção é machucar a parte de mim que ainda briga por um sono tranquilo e deixar claro que para torna-lo um gigante invencível, basta apenas que eu me importe com o inútil e o descartável.

“Seja mais forte por você e por quem você ama” é um mantra que resolvo entoar. As dificuldades aparecem na mesma rapidez com que se vão, não devo me deixar levar. Essas são duas das lições que aprendo no intervalo de tempo em que erroneamente alimentei minha criatura. Adormeço e ao acordar sentindo o primeiro feixe de luz solar que aparece timidamente no quarto, me dou conta mais uma vez que a criatura e eu somos uma só, não estamos divididas afinal de contas. No meu interior existe um monstro de hábitos noturnos, que quando acorda, é o único com poder de me destruir. Todos tem um monstro. Olho para o lado direito da cama e ironicamente bem ali pertinho, enxergo um dos vários motivos pelo qual deveria simplesmente dormir como um anjo todas as noites.

Foto destaque

Posted by:Agatha Chris

Por aqui escreve sobre as coisas que ama e tudo que há ao seu redor. Não vive sem sonhos, chocolate, cachorros, cinema, séries, música, fotografia e Netflix. Email: agavalenca@gmail.com

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