Como Eu Era Antes de Você // Depois de Você – Jojo Moyes

Antes de ler Como Eu Era Antes de Você, tentei fazer uma lista mental de quantos livros/filmes sobre tetraplégicos e seus cuidadores eu conhecia. Consegui pensar em três de cara: O Segundo Suspiro (tenho ele aqui em casa e só comprei porque amei ver o filme Os Intocáveis. Uma pena que o livro tenha uma dinâmica mega diferente da que vimos no roteiro adaptado do filme), O Escafandro e a Borboleta (porque já tinha ouvido falar no livro, mas fiquei super curiosa para ver o filme que conta a história de Jean-Dominique depois que ele é citado no livro de Moyes… Não me arrependi, mas prepare o coração porque é sufocante demais) e Um Momento Pode Mudar Tudo (ok, esse na verdade aborda sobre ALS, mas também usa aquela mesma dinâmica cuidador louco e pessoas que perderam o movimento do corpo).

Com a lista feita, fiquei me perguntando porque eu deveria ler esse livro com cara de piegas. Fui vencida pela curiosidade depois de ver o trailer do filme que deve sair ainda esse ano com khaleesi Emilia Clarke e Finnick Sam Claflin. Eu não podia ficar de fora, tinha que dar minha opinião sobre a “linda história de amor” que todos não paravam de falar a respeito.

Então eu fui lá, li e… ADOREI. Como Eu Era Antes de Você não é nem um pouco previsível, e pra quem acha (assim como eu achei) que é um romancezinho besta, cheio de clichês e falsas situações, tá enganado. Antes de mais nada, Jojo conseguiu criar uma personagem que consegue cativar muito fácil, mesmo Louisa Clark sendo uma mulher que não está habituada a descobrir nada novo, irritantemente conformada com seu mundo (por razões que você descobre no decorrer da leitura). Todo enredo do livro gira em torno dela e de como sua vida muda da água para o vinho em apenas alguns meses.

635974513164722136_Afterlight_Edit

Tudo começa por conta de um revés do destino onde Lou se vê obrigada a sair da zona de conforto e buscar por um novo emprego. Durante 6 anos trabalhou apenas num café e seu dia a dia consistia apenas em observar a vida das pessoas. Após ser aprovada numa entrevista para cuidadora, ela conhece Will, um homem que no passado era muito bem resolvido em tudo, com um bom emprego, namorada capa de revista e conhecedor de grande parte das sensações maravilhosas que o mundo tinha para oferecer, mas que depois de um acidente, passa a viver numa cadeira de rodas e vê tudo na sua vida mudar de forma drástica.

Lou e Will aos poucos vão se conhecendo, cada um se adaptando ao outro a sua maneira (porém, nos primeiros dias Will se mostra uma pessoa detestável e Lou começa a odiar o trabalho). Apesar de serem pessoas completamente diferentes, que viviam em universos totalmente distintos, os dois passam a enxergar um no outro mais do que eles realmente aparentam. Mas como nem tudo é flores, depois de descobrir as intenções de Will para o futuro numa clinica na Suiça, Lou se vê numa situação da qual não pode fugir. Precisaria mostrar que apesar da atual condição de Will, ainda valia a pena que ele lutasse por sua vida, tudo isso num intervalo de tempo de pouco menos de 6 meses. Ela só não esperava que durante o percurso, descobriria ser capaz de fazer e apreciar coisas que jamais sonharia, além de se apaixonar pelo chefe.

O livro faz você refletir sobre uma infinidade de coisas e mostra a mais pura realidade das pessoas que vivem e convivem com a tetraplegia. A ironia do destino demonstrada pelo livro está bem ai… Uma pessoa jovem, de 26 anos, conformada, inativa e sem ambições com boa saúde, enquanto alguém que sempre levou ao pé da letra a frase “viver a vida” passa simplesmente a precisar de cuidados 24h, sem os movimentos do corpo. Acredito que essa contradição contribuiu e muito para que o leitor conseguisse entender a evolução do relacionamento dos dois.

Uma coisa que achei interessante é que em alguns capítulos podemos ver tudo do ponto de vista de outros personagens, mesmo o livro sendo predominantemente narrado pela própria Louisa. A leitura é bem fluida e eu praticamente engoli as páginas pra poder começar a ler Depois de Você. Quando acabei, um cisco caiu no meu olho e eu não consegui parar de lacrimejar por horas hahahha. Achei o livro muito bom e então parti para o próximo correndo (dessa vez no leitor digital).

Depois de Você não me cativou tanto quanto C.E.E.A.D.V e tudo bem, eu já esperava que fosse ser assim. O começo é bem arrastado e demorei muito mais tempo para terminar de ler do que gostaria, apesar de ter adorado o desfecho que a autora deu para a história. Nesse segundo livro acompanhamos Louisa numa espécie de busca por autoconhecimento / amadurecimento, já que agora ela precisa aprender a viver com o legado que Will deixou para ela.

Outros personagens importantes são trazidos para a história, gostei muito do Sam e o envolvimento dele com Lou, mas não consegui engolir Lily louca durante 80% do livro (não que eu não tenha gostado do seu papel chave no enredo, mas não gostei do personagem em si). Claro que não vou dizer o porque de tudo #semspoilers, mas apesar da dela ser muito chatinha, a autora consegue justificar todos os comportamentos inadequados dela com maestria. Um outro detalhe interessante em Depois de Você, é a sutil abordagem que é dada para temas como função da mulher na família e sociedade, as formas de lidar com o luto e as dificuldades enfrentadas em meio a diferentes ambientes de trabalho.

É normal que você fique muito irritada com certas coisas, como a forma que Lou resolve aproveitar a vida depois do seu envolvimento com Will, as decisões que ela toma e como ela simplesmente se deixa manipular pelas situações, sabe? Sempre colocando a felicidade dos outros acima da dela, sem tomar as rédeas da própria vida. Tinha hora que ficava desejando que ela se materializasse na minha frente só para eu dar um tapa na cara dela e gritar “ACORDA”. Ou seja, A.W (antes de Will) vemos uma mulher que acorda para o mundo e D.W vemos essa mesma mulher em constante negação com tudo. Mas é aquela coisa, uma vez ou outra durante a leitura, depois que a raiva passa, você fica se perguntando se no lugar dela não estaria fazendo as mesmas coisas. Enfim… tudo vai melhorando lá para o final, depois de fazer a gente ter pequenos ataques cardíacos, é claro.

Esse livro, assim como o primeiro, retrata as coisas de uma forma muito real (com momentos que facilmente você poderia vivenciar no dia a dia) o que é uma característica muito legal. Moyes nos mostra através dessa história cheia de surpresas, como é importante olhar para o próximo e entender suas angustias. Buscar a ajuda de outras pessoas ou somente ajudar alguém sem esperar nada em troca, pode fazer a diferença nos momentos em que a única coisa que você deseja é superar algo. Eu recomendo muito a leitura dos dois livros.

Ai vai o trailer do filme que logo mais estará nos cinemas! Super ansiosa ♥

Já leu? Conta pra mim  o que achou!

  • Facebook
  • Twitter
  • Google+
  • Pinterest

Leia também...

Nenhum Comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *